Nexans reestrutura operações no Brasil e troca o comando

Por Renato Rostás e Camila Maia – Jornal Valor Econômico

 

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S e TMatéria publicada no Jornal Valor Econômico em 24 de abril de 2018. Clique para acessar a versão online ou então a versão impressa.

 

Thierry Costerg, novo presidente da fabricante de cabos de alumínio e cobre Nexans no Brasil, vai assumir o cargo com o

negócio em curva ascendente. Afetada principalmente pela recessão econômica no país, que travou grandes projetos e

reduziu a demanda em geral, a empresa espera concluir no terceiro trimestre a reestruturação de suas operações. Isso

implica o fechamento da fábrica de Americana (SP), concentrando as atividades na fábrica do Rio de Janeiro.

 

 

Com isso, a perspectiva é ao menos manter o crescimento orgânico do ano passado, em que a receita subiu 5%. A

companhia atua no fornecimento de cabos para vários setores. Os produtos são aplicado em alta voltagem - como linhas de

transmissão -, telecomunicações, indústria e construção. O último segmento, explica Costerg, em entrevista ao Valor,

segue bastante comprimido, principalmente porque as obras não voltaram consideravelmente, apesar de o Produto Interno

Bruto (PIB) estar se recuperando. Na América Latina como um todo, construção é uma área importante para o grupo.

 

"O que vemos é que efeitos políticos internos estão adiando o investimento em infraestrutura, algo que não é exclusivo do

Brasil e ocorreu em toda a América do Sul", comenta Steven Vermeulen, vice-presidente executivo da empresa francesa nas

Américas. "À medida que essa incerteza passar, tenho certeza que os projetos voltarão. Mas, enquanto isso, a crise nos fez

repensar o negócio."

 

Parte do pessoal foi mantido na transição da fábrica paulista para a carioca, mas a Nexans teve de cortar cerca de 250

postos de trabalho nessa mudança. Ao fim do processo, deve ficar com aproximadamente 500 funcionários.

 

A solução foi encontrada dentro de um programa chamado "Nexans em movimento", que a fabricante de cabos promoveu

no mundo todo e ao fim do qual houve o anúncio da saída do presidente mundial, Arnaud Poupart-Lafarge. "A saída [do

executivo-chefe] foi uma questão estritamente pessoal e devemos ter um plano de sucessão em breve", diz Vermeulen.

Agora, o novo programa se chama "Em ritmo de crescimento".

 

Para Costerg, a crise brasileira surge como uma chance de a empresa voltar-se para operações mais enxutas, em linha com

a nova realidade do país, mesmo que relativamente temporária. O Rio foi escolhido principalmente pelo histórico de mais

de 30 anos na região e a proximidade com o setor de óleo e gás, que tem melhores perspectivas agora. "A recuperação dos

preços da commodity com certeza ajuda", afirma.

 

A Nexans tem receita mundial de € 6,4 bilhões. Desse valor, 6% é gerado na América do Sul, onde Brasil e Peru são os

principais contribuintes. O grupo não revela quanto fatura no mercado brasileiro. A empresa ainda é relevante no Chile e

na Colômbia.

 

No país, as principais expectativas se concentram no ramo de energia elétrica. Em renováveis, os dois executivos veem

oportunidades de negócios. Uma grande especialidade é em energia eólica, segmento no qual vê melhora na demanda. Mas

o fornecimento também se dá para energia solar, trabalhando em conjunto com a indústria de painéis fotovoltaicos, explica

Vermeulen.

 

A previsão é que a Nexans estará entre os três maiores fornecedores de cabos em energia. A estrutura no Brasil, contam,

está ajustada para crescer junto com a economia. Além da alta voltagem, a empresa tem produtos para média e baixa

voltagem.

 

Ao concentrar as atividades no Rio, a Nexans precisava de um reforço na competitividade e conseguiu isso fechando uma

parceria com a Companhia Brasileira do Alumínio (CBA), do grupo Votorantim. A empresa francesa está instalada dentro

da unidade de Alumínio (SP) da fabricante e vai receber, a partir o segundo semestre, o metal ainda líquido direto para ser

extrudado e se transformar em um vergalhão, que, em seguida, vai virar um cabo.

 

"É um ganho competitivo considerável. Imagine transportar cabos enorme de alta voltagem pelo país. E temos nos leilões a

presença de empresas estrangeiras, muitas chinesas, então é muito importante ter uma solução local", comenta Costerg.

"Queremos avançar nessas parcerias", diz Vermeulen.

 

Sobre a Nexans

Como líder global em soluções avançadas de cabeamento e conectividade, a Nexans traz energia à vida a partir de uma extensa gama de produtos referência no mercado e serviços inovadores. Por mais de 120 anos, a inovação tem sido a marca da companhia, possibilitando a Nexans a conduzir um futuro mais seguro, inteligente e eficiente junto a seus clientes. Hoje, o Grupo Nexans está comprometido em facilitar a transição da energia e apoiar o crescimento exponencial de dados por meio do fortalecimento de seus clientes em 4 principais negócios: Construção & Territórios (incluindo utilitários, redes inteligentes, e-mobility), Alta Tensão & Projetos (cobrindo parques eólicos offshore, interconexões submarinas, alta tensão terrestre), Telecom & Dados (cobrindo transmissão de dados, redes de telecom, data centers hiperescaláveis, LAN), e Indústria & Soluções (incluindo renováveis, transporte, óleo & gás, automação e outros). A Responsabilidade Social Corporativa é um princípio fundamental nos negócios e práticas internas da Nexans. Em 2013, a Nexans se tornou o primeiro fabricante de cabos a criar uma Fundação apoiando iniciativas sustentáveis, levando acesso à energia para comunidades desprivilegiadas ao redor do mundo. O compromisso do Grupo com o desenvolvimento ético, sustentável e de alta qualidade de seus cabos conduz o seu envolvimento ativo junto a várias associações industriais, incluindo a Europacable, The National Electrical Manufacturers Association (NEMA), International Cablemakers Federation (ICF) ou CIGRE, por exemplo. A Nexans emprega mais de 26.000 pessoas e está presente com atividades industriais e comerciais em 34 países ao redor do mundo. Em 2017, o Grupo gerou 6.4 bilhões de euros em vendas. A Nexans está listada na Euronext Paris, compartimento A.

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